É possível usar a arte como um apoio direto ao processo amplo de florescimento humano, para cultivar a mente, uma energia e atitude mais equilibrada na vida?
Abaixo, um apanhado de referências de estudo, prática e reflexão que considero relevantes. São tópicos ou apenas notas breves do que pode ser aprofundado depois. Você pode consultar, ler, estudar, olhar livremente, da forma como lhe for útil e parecer melhor.
Arte e cultivo do mundo interno
Arte sozinha não basta, é necessário o engajamento com um método estruturado de cultivo do mundo interno. A arte então passa a apoiar esse processo, como algo complementar ao caminho principal. E depois, com o tempo, a arte passar a se tornar uma ferramenta desse caminho, ela apoia a nossa própria prática e se torna um meio hábil natural da compaixão e lucidez que formos capazes de cultivar.
Então, é preciso encontrar professoras ou professores genuínos e comunidades de praticantes. Um projeto de longo prazo, para a vida. Conseguimos operar a arte de forma contemplativa ou compassiva apenas na medida da nossa prática. Por isso, não se começa com arte, se mas com cultivo do mundo interno. Ou seja, a motivação principal deveria ser a de trazer benefício para os outros, apoiar a vida e o mundo, em vez de meramente fazer arte ou ser artista.
Dois textos
→ “Arte para quê”
→ “Arte e mundo interno – um aprendizado com Kaz Sensei”
Kazuaki Tanahashi Sensei
Erudito e professor na tradição Soto Zen, escritor, pintor e mestre calígrafo que explora a prática artística como meio hábil de florescimento humano, Kaz Sensei tem uma trajetória extraordinária — autor e tradutor de textos budistas do japonês medieval, chinês e sânscrito para o inglês (especialmente o Sutra do Coração e textos do Mestre Dogen); transita por centros de Darma nos Estados Unidos e Europa conduzindo retiros do Zen e de pintura caligráfica; no Japão, foi aluno direto do O-Sensei Morihei Ueshiba, fundador do Aikido; atua desde a década de 60 como ambientalista e pacifista, sendo fundador e diretor do A World Without Armies, iniciativa para a desmilitarização das nações. Para conhecer mais:
→ Documentário “Painting Peace”
Como meditar
A meditação silenciosa é uma porta de entrada rápida para a familiarização com o mundo interno, emocional e sutil. Essa prática é um retorno para casa, para a condição natural da mente, livre das perturbações que surgem de emoções, pensamentos e bolhas de realidade. Para relembrar alguns pontos importantes e seguir aprofundando, sugiro ver e praticar junto com esse vídeo do Lama Padma Samten, nosso professor no CEBB. Recomendo assistir uma vez e depois praticar junto, só ouvindo — de 4:50 a 16:00 ele funciona como meditação guiada. Assista aqui →
Livros que recomendo
Sobre os aspectos contemplativos, sutis e compassivos da arte:
- “True Perception: The Path of Dharma Art”, de Chögyam Trungpa Rinpoche. Amazon →
- “Magic Dance: The Display of the Self-Nature of the Five Wisdom Dakinis”, de Thinley Norbu Rinpoche. Há um capítulo apenas sobre arte, muito profundo. Amazon →
- “O Ator Invisível”, de Yoshi Oida. Focado na arte da representação, mas com insights preciosos e que servem para todas as práticas artísticas e de corpo. Estante Virtual ou baixar em PDF →
- “Regilião para Ateus”, do Allain de Botton. Há capítulos muito bons sobre arte, cultura e sociedade. Pode ser encontrado com bons preços nos sebos através do Estante Virtual →
- “Arte como terapia”, de Alain de Botton e John Armstrong. Estante Virtual →
- “The Power of Rhythm”, do Reinhard Flatischler, é sobre a transformação através do ritmo. Vários dos princípios podem ser localizados e explorados em outras formas de arte. Amazon →
- “Zen guitar”, do Philip Toshio Sudo. Tem dicas bem práticas de como usar o violão, a guitarra e a música como um suporte da prática contemplativa. Vários dos princípios podem ser localizados e explorados em outras formas de arte. Amazon →
- “The Four Dignities: The Spiritual Practice of Walking, Standing, Sitting, and Lying Down”, do Cain Carroll. Não é sobre arte, mas tem instruções preciosas e que são cruciais também para as práticas artísticas e de corpo. Amazon →
- “A Dádiva – Como o Espirito Criativo Transforma o Mundo”, Lewis Hyde. Estante Virtual →
Sobre pintura caligráfica:
- “Heart of the Brush: The Splendor of East Asian Calligraphy”, de Kazuaki Tanahashi. Amazon →
- “O Coração do Pincel” (edição brasileira do livro “Brushmind”), de Kazuaki Tanahashi. Estante Virtual →
- “The Art of Calligraphy”, de Chögyam Trungpa Rinpoche. Amazon →
- “Brush Meditation: A Japanese Way to Mind & Body Harmony”, de H. E. Davey. Pode ser comprado na Amazon →